quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Happy New Year.

Ano-novo sempre me deu um friozinho na barriga, uma ansiedade disso que representam o fogos, o branco, os símbolos: os hão de ser. Sempre adorei planejar cada segundo do próximo ano da minha vida, mesmo que nada do que eu esperava de fato se concretizasse; eu sempre disse que é importante traçar um caminho e saber pra onde você tá indo, mas é tão importante quanto estar aberta pras novas possibilidades que vão te tirar do seu curso. Eu adoro essa sensação de comemoração pelo que aconteceu, adoro a sensação de esperança que as pessoas alimentam nessa época e adoro a principal diferença entre hoje e o natal: a sinceridade de estar aceitando que tudo passou, ou ruim e o bom, e que tudo o que vier pode vir pra melhorar the current situation.
Mas, you know, mergulhada nos meus pensamentos, depois de algumas partidas de buraco, enquanto os primeiros testes dos fogos de artifício estouram no céu e eu mostro o meu cansaço das seis horas de viagem numa reunião familiar monótona, eu só penso em uma coisa: How I wish you were here.
Feliz ano novo, meus bens.
Feliz ano novo, meu menino. Espero que você esteja em algum lugar daí dessas ruas sem esquinas pensando em mim também.

Uma caixa e uma flor seca.

É isso o amor. é essa mistura de exagero com controle, de serenidade com ansiedade. É essa saudade dos vinte dias que eu vou passar sem você.
Você é... você é.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

It might be better that way.

Eu não fui forte o bastante pra me despedir de você all over again. Eu sou egoísta, eu admito.
Eu vou morrer de saudades da sua primavera. Sempre.

Trinta de dezembro. (Random Thoughts of a day like others.)

Véspera de ano novo. Selton Mello nasceu nesse dia também, sabia? acabei de descobrir no Google. E ele é, you know, bem sucedido e tal - talvez ser capricorniana tenha seu lado bom. Na descrição do meu signo é dito que eu sou o exemplo de responsabilidade, de fidelidade à tradições, de individualista e solitária. Mas meu ascendente é em aquário, o que aparentemente significa que eu sou inventiva, idealista e independente, que sou rebelde por natureza, que sou divertida. Então eu acho que posso culpar a astrologia pelas minhas contradições, né? Acho que eu sou tipo povos da antiguidade que gostavam de achar razões no céu ou no plano espiritual pra coisas que aconteciam todos os dias, na Terra; sempre fui assim, nunca quis aceitar muito bem os átomos e a cientificidade da vida; acho mais bonito pensar que somos seres completos, apesar de mal compreendidos, e não que somos todos a reunião de pedacinhos invisíveis ao olho nú. Eu gosto de pensar que eu sou completa, só não experimentei todas as possibilidades de mim mesma ainda. Prepotente, né? Soava um pouco menos na minha cabeça; Não sou nada prepotente, essa é a verdade. Sou super insegura, um dia sem ouvir a voz dele ainda me deixa louca e preocupada, como se fosse a primeira semana, como se ele nunca tivesse dito que me ama. Como se amor não fosse uma palavra se quatro letras de um tamanhoo gigantesco, colossal. Como se amor não significasse tudo o que significa. E às vezes eu penso que a gente fala tanto de amor nesse planeta que parece que amor é difícil, quase um fardo; parece que amor só acontece uma vez na vida e atinge como um raio, que dói como dói uma flechada, um tiro. Ah, céus, parem de iludir a coletividade, amor é tão fácil, tão sereno. E, quer saber? talvez seja essa a diferença entre esse ano e o anterior, e o anterior e, aliás, todos os outros dezesseis anos da minha vida: não que a minha vida hoje se resuma a esse meu amor (Ai, meu deus, no way, me amo demais pra amar outra pessoa mais do que a mim mesma. That's for sure.), mas é que hoje alguém me implorou, me chantegeou pra me ver, me ligou pra dizer que me ama como eu sou. Just as I am.
That's right, morra de inveja. hahaha

Só falei besteiras, estou consciente. Só falei das coisas com as quais eu não tenho que me preocupar, com as quais a vida pode fluir no ritmo que eu preciso, que eu adoro. Falei daquilo que eu quero que reja meu dia. MEU dia.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Individualismo.

Não gosto de trabalhar em grupo, é isso. Não suporto pessoas metendo o nariz no trabalho alheio, odeio gente dando pitaco nas decisões do outros - principalmente nas minhas. E, mais do que isso, eu ODEIO gente incompetente. odeio muito. Odeio gente que não sabe diferenciar o bom do excepcional, gente que não se importa se tá bem feito, desde que esteja feito. Eu odeio gente burra, que não consegue discernir o bom do mal negócio, que toma decisões por vinte pessoas sem sequer give it a thought.
For christ sake!

E isso é difícil pra mim, sabe? Porque como ótima capricorniana com ascendente em aquário que eu sou, todo mundo é incompetente: se eu posso fazer melhor, quem faz menos e desprezível. Não aguento falta de feeling, falta de timing, falta de jeito. Não aguento imperfeição.
Sou um nojo de pessoa. Me desculpem por isso.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz Natal.

O que diabos significa isso, afinal? Quem entre nós, adolescentes acéfalos da geração menos cristã de todos os tempos, sabe o que realmente significa comemorar o nascimento de um serzinho que, na verdade, nem temos tanta certeza assim sobre sua existência e seus feitos? Não gosto do natal, não acredito no natal. Sou daquelas pessoas que acreditam que é tudo uma colocação de sorrisos falsos e uma abertura de brechas pra parentes distantes oportunistas. Não acredito na tradição familiar, não concordo com a obrigatoriedade de tirar um dia pra uma festividade exclusivamente familiar. Não acredito nos símbolos, não concordo com os motivos.
Feliz Natal.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

É Destino

O nome desse post deve ser lido como uma afirmação com uma leve, porém notável, dúvida no final.

Existem aproximadamente 6,477 bilhões de pessoas no mundo das quais 193 milhões moram no Brasil, 2.606.885 em Brasília. Quais são as chances de, entre dois milhões de pessoas, encontrar aquela uma - só com um olhar? Qual seria a brilhante explicação de achar aquele ser humano que te faz sorrir sozinha, que te faz suspirar e que te adora tanto quanto você o adora? Qual a probabilidade de, entre seis bilhões de habitantes, você ser feliz com um só? Um só te ser suficiente?
Não vou divagar em conceitos como alma gêmea, nem vou pesar os mitos e verdades numa balança pra tirar uma conclusão mais racional sobre destino. É só que eu aceito que existem coisas que não dá pra explicar - seja por não termos adquirido conhecimento o suficiente em cem mil anos de homo sapiência, seja por uma força cósmica nos controlar à esmo; - chame do que quiser: destino, coincidência, era-pra-ser... Seja o que for, é possível que o encontro de duas pessoas seja como um encaixe de peças certas em um quebra-cabeça. perfeito. (afirmação com uma leve, porém notável, dúvida no final)

Daqui pra frente.

Muita coisa vai mudar na minha vida, eu sei. Esse é um daqueles momentos em que eu tenho que decidir o resto da minha vida. E eu me sinto waaaay too young pra isso. Daqui pra frente eu vou ter que descobri o que move a minha vida e ter que me jogar nisso. Vou ter que aceitar que nada é pra sempre, mesmo que oito anos já tenha parecido uma eternidade e vou ter que aceitar que mudanças drásticas são medonhas, apavorantes, mas boas. Daqui pra frente eu vou ter que crescer. E eu não sei como é isso: ver as coisas crescendo comigo. Ver que há dois míseros aninhos atrás a vida era completamente diferente e que daqui a dois, well, eu nem vou me reconhecer.
Me dá vontade de fechar os olhos e fingir que nada disso me preocupa ou importa. Mas eu acordo todos os dias pensando que a vida nunca foi assim. A vida não vai ser assim pra sempre;
Só sei que canto e a canção é tudo, tem sangue eterno e asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo - mais nada.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Foi sem querer.

Menti pra você, mas foi sem querer. Me perdoe, amor, mas não pude conter. Não pude segurar a mentira que pulou da minha boca em você. Ó, meu benzinho, não posso lhe dizer a verdade.

Mentir é fácil. Facílimo. Às vezes eu minto tão bem que eu mesma acredito na minha mentira. Mas qual é o limite das mentirinhas brancas? Existem mentiras que vêm sem querer, só pra confirmar verdades implícitas. verdades equivocadas. Tô carregando uma, admito, tá me incomodando e eu não sei o que fazer com ela. Odeio ser tão fofinha.
E agora, josé?

Vermelho.

Os seus cílios eram loiros e sua pele branca era pintada por sardinhas. Você é uma fofura e acho que ainda hoje eu te idolatro, um pouco. Você representou tudo de livre na minha vida, e o seu jeitinho de ir com a maré me deu vontade de viver assim também, viver com calma. Viver uma coisa de cada vez e curtindo a sensação de ter tudo aquilo que nós temos agora e que podemos não ter daqui a pouco. Você me disse mesmo pra curtir o caminho e não o destino final, eu devia ter ouvido...
E acho até que você me deu um fim digno na sua vida. Eu queria engolir todas as palavras e você queria soletrá-las, foi tudo uma questão de desencontros, de desarmonias. Foi tudo uma questão de tempo. E você tava mesmo certo também na hora de me dizer que não era pra ser dessa vez, simples assim. Tão simples que me foi difícil digerir. Eu não sou simples, mas você conseguiu me resumir!
E foi na tua simplicidade também que você errou, graça. Por mais que o mundo seja mais informação do que você quer interpretar, você não pode fechar os olhos pra ele, eu achei que você soubesse. Achei que você soubesse que é preciso um pouco de desequilíbrio na vida também, e eu tinha quase certeza que você sabia que é preciso se doar, só um pouquinho, de vez em quando. Eu acreditava que você era uma das pessoas que sabe que um olhar, só um encontro de pupilas, uma leitura de íris, era o bastante pra ficar ou ir embora. E que a ausência desse encontro não significa nada senão apatia.
Você não sabe disso ainda, né?
Eu espero que você saiba quando ela for embora...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Bonito isso, hein?

Recentemente passei horas lendo uma reportagem de várias páginas sobre... beleza(?)
Não beleza Vogue, que insiste em te dizer que você precisa ter aquele Louboutin pra ser bonita, ou beleza Elle, que consegue achar solas vermelhas genéricas tão elegantes quanto. Não, eu tava lendo um questionamento disso.
Ok, eu aceito, velha discussão essa. Mas porque é que a gente insiste em ser aquela modelo magra, linda, perfeita, photoshopada, que não existe? A indústria de cosméticos e relacionados é a que mais cresce no Brasil: aquela mesma que vende cremes mágicos que “elimina linhas de expressão em horas”, que vende absorventes que prometem “neutralizar os possíveis odores naturais.” ou aquele desodorante que diz “te manter protegida por 24horas”. E cremes depilatórios, porque “veet sabe que você busca uma pele macia e lisinha a todo momento. “ pra se sentir “linda e sensual.”.
Desde quando beleza gira em torno de não ter expressão, não ter cheiro, não ter pêlos – não ser humana, em ser a Barbie ( by the way, literalmente de plástico!)? Desde quando a gente começou a realmente acreditar que essa beleza é o atributo mais importante de uma mulher?
Não, meu deus, não é natural levantar, escovar os dentes, e depois voltar pra cama pra beijar o seu namorado. Não é normal só querer começar o seu dia depois que você já estiver cheirando a sabonete e querer se encher daquele perfume que vai disfarçar esse cheiro que você adquire durante o dia, o seu cheiro. Não é normal achar que o bom hálito e só aquele que você fica depois da balinha de hortelã. Não é mesmo natural chegar aos quarenta morrendo pra colocar logo um botox pra disfarçar aquelas ruguinhas que denunciam a tua idade, tua vivência.
A gente chegou a um ponto crítico! Estamos todas iguais, nossa individualidade foi pro ralo junto com o primeiro banho do dia. Pelo que podemos ser diferenciadas se os nossos cabelos são todos imitações das ondas loiras da Gisele Bündchen, se nossos rostos são cobertos de maquiagem MAC, se nossas peles são todas tratadas com inúmeros cremes anti naturalidade e se nossos cheiros mais sutis cheiram todos ao mesmo desodorante?
Tão crítico que surge umas bizarrices como essa: www.smellmeand.com, é, cheiro de vagina. E a gente ainda fica achando que é do cheirinho do perfume do Marc Jacobs é que eles gostam...

sábado, 5 de dezembro de 2009

Eu não te disse hoje (2)

Porque não pude, mas queria dizer sem precisar falar uma palavra, how I need you so.

Eu não te disse hoje.

Mas queria, juro que queria, dizer que eu te adoro também. Adoro os seus olhos verdes encontrando a minha alma, adoro seu cheiro de suor misturado com calma. Adoro cada pedacinho de você. Adoro que você saiba como me arrepiar, adoro que você me fale olhando nos meus olhos que me adora. Adoro seu jeito de encarar as coisas. seu jeito gostoso de rir. Adoro a nossa intimidade e o jeito como os nossos corpos se encontram, adoro como é quase um encontro de almas. Adoro sentir seu coração acelerar enquanto você fuma seu cigarro. Adoro o jeito que você deita no meu colo e fica lá, esquecendo da vida... Você é lindo. Eu tenho certeza que meus olhos brilham quando eu te vejo. Meu coração acelera e minha pupila dilata. Você é o meu bem. Você traz o melhor de mim pra superficie, me faz enxergar um mundo que eu não sabia que existia. Não sei mais como é a vida sem você, e não me interessa saber. Você é o meu norte, agora. É com você, meu companheiro, que eu vou de olhos fechados, guiada só pela tua voz grave me cantando todo o amor que houver nessa vida.
Meu maior medo já não é te amar. É não amar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Romance.

Eu encontrei-a quando não quis mais procurar o meu amor e o quanto levou foi pra eu merecer antes um mês e eu já não sei, e até quem me vê lendo jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei. E ninguém dirá que é tarde demais, que é tão diferente assim. Do nosso amor a gente é quem sabe, pequena. Ah, vai me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar e se o caso for de ir a praia, eu levo essa casa numa sacola..
Eu encontrei-a e quis duvidar, tanto clichê deve não ser. Você me falou pra eu não me preocupar ter fé e ver coragem no amor, e só de te ver eu penso em trocar a minha tv num jeito de te levar a qualquer lugar que você queira, e ir onde o vento for que pra nós dois sair de casa já é se aventurar.
Ah, vai me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém afim de te acompanhar, e, se o tempo for te levar, eu sigo essa hora, eu pego carona pra te acompanhar.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Contentamento descontente

Tenho pensado muito nisso. Em amor. Na idéia que a gente tem desse sentimento puro, infinito, altruísta. E quanto mais eu penso, mais eu desacredito.
Não me entenda mal, eu acredito na excepcionalidade da vida. Eu acredito em encontros ditados pelo destino: encontros de almas, de forças, de grandezas que a gente não entende. Eu acredito em felicidade e em um fundo de satisfação na dor. Acredito em silêncios que não são constrangedores como representação verdadeira e incontestável de um sentimento enorme. Acredito em trocas de olhares capazes de fazer você esquecer de tudo o que o mundo é, foi ou pode ser. Eu acredito verdadeiramente na paixão vivida, naquilo que se sente literalmente na pele, que faz seu estômago revirar e acredito na paixão que traz saudade, desejo e toda uma reviravolta dentro de si;
Eu acredito no amor dentro de si. No real.
Porque o amor também é egoísta, é fonte de ciúmes e é tão príncipio de discórdia quanto de acordo, é instável, imprevisível.
O amor é livre, já cantava Marisa Monte pra mim, desde quando eu tinha meus dez anos. E é uma delícia, mas dá e passa...

Mas, ah! Não paremos de fantasiar...

sábado, 28 de novembro de 2009

Tu tens um medo: Acabar.

Não vês que acabas todo dia
Que morres no amor,
na tristeza,
na dúvida,
no desejo.
Que te renovas todo dia
no amor,
na tristeza,
na dúvida,
no desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas
Até não teres medo de morrer.
Então, serás eterno.

Cecília é aquela voz que me grita as verdades.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Só Sinto.

Não sei das verdades ou mentiras, não sei dos certos ou dos errados, desconheço o moral ou imoral. Não sei de por quês, de ondes nem de quandos ou quantos. Só sinto.
E às vezes sinto ardente, latejante, quase doentio. Sinto cada centímetro do meu corpo no teu corpo, cada segundo infinito do teu beijo me encontrando. Sinto como se fosse me afogar nesse sentimento. Me falta ar, me fogem as palavras, me desnorteio e desarmo com teus olhos tão, tão verde-mar. Esses teus olhos que me engolem.
E às vezes (ah! é tão fácil estar com você.) sinto o teu coração, a tua respiração, a tua serenidade. Sinto o mundo inteiro girar no nosso ritmo. Sinto esse nosso filme passando devagarzinho, à la trois couleurs. Sinto tua mão calma passeando pelo meu corpo, ouço seus pensamentos sem que você precise verbalizá-los. Eu fecho os olhos pra ouvir a sua voz me cantando as cores e as coisas pra me prender, a sorte desse amor tranquilo...
Sinto tanto que eu tenho medo. Mas só sinto...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Tudo, tudo, TUDO é relativo;

Essa é a grande verdade. Conclusões são sempre influenciadas pelo ponto de vista do observador, não existem coisas como verdades absolutas ou opiniões nulas. E ignorância, meus queridos, é não aceitar isso. É ficar achando que a verdade tem dono, ficar se escondendo na intolerância, é fechar os olhos pra esse mundo de incertezas ao nosso redor.
Além do mais, relatividade é uma coisa muito bonita. Cada ser-humano tem, dentro de si, esse pedacinho de vivência, esse conceito de moralidade, essa capacidade de questionar. Somos completos, mesmo. hahaha

(post claramente influenciado por dias bons. Não sou alegre assim todos os dias. não mesmo.)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Só dure o tempo que mereça;

Não chegue na hora marcada assim como as canções, como as paixões e as palavras; me veja nos seus olhos, na minha cara lavada; me venha sem saber se sou fogo ou se sou água. Me chegue assim, bem de repente, sem nome ou sobrenome, sem sentir o que não sente. Só dure o tempo que mereças e quando me quiser, que seja de qualquer maneira; enquanto me tiver que eu seja o último e o primeiro.
Pois tudo o que ofereço é meu calor.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Vamos celebrar a estupidez humana.

Hoje, vou me criticar. Vou nos criticar;
Nós, metidos a politizados que estamos sempre criticando as formas de governo, as injustiças sociais, o mau uso e o desvio de dinheiro público. Nós que sempre criticamos as censuras e as decisões judiciais compradas, criticamos os evidentes investimentos na compra de votos, os métodos mais bizarros que existem de se eleger. Nós que sempre criticamos a (des)organização governamental, a má distribuição de renda: renda essa concentrada, coincidentemente, na camada política brasileira. Nós que criticamos a (in)justiça, a hipocrisia, a safadeza alheia, a lorota, a burrice da massa, a malícia dos espertos. Nós que criticamos a falta de cumprimento da teoria, da lei, nós que criticamos as instituições sem fundamentos, as ignorantes, as intolerantes. Nós que criticamos a falta de bom senso, a falta de cidadania, a falta (ou excesso) de brasilidade. Que criticamos a estupidez, a ganância. Nós que assistimos à pobreza, ao crime, à superlotação nos presídios, à periculosidade nas ruas, ao medo, à manipulação, à cegueira da justiça, aos escândalos, ao real inimaginável.
Eu NOS critico.
Porque eu, leia-se nós, falamos muito, reclamamos muito, nunca estamos conformados. Mas parece que a voz nos some quando a próxima palavra a ser dita é AÇÃO.

domingo, 15 de novembro de 2009

What always happens.

McKenzie: So do you have a boyfriend?
Summer: No.
McKenzie: Why not?
Summer: Because I don’t want one.
McKenzie: Come on; I don’t believe that.
Summer: You don’t believe that a woman could enjoy being free and independent?
McKenzie: Are you a lesbian?
Summer: No I’m not a lesbian. I just don’t feel comfortable being anyone’s girlfriend. I don’t actually feel comfortable being anyone’s anything.
McKenzie: I don’t know what you’re talking about.
Summer: Really?
McKenzie: Nope.
Summer: Ok, let me break it down for you–
McKenzie: Break it down!
Summer: Ok. I like being on my own. I think relationships are messy and people’s feelings get hurt. Who needs it? We’re young, we live in one of the most beautiful cities in the world; might as well have fun while we can and save the serious stuff for later.
McKenzie: You’re a dude. She’s a dude!
Tom: Ok but wait–wait. What happens if you fall in love?
Summer: You don’t believe that, do you?
Tom: It’s love, it’s not Santa Claus.

Summer is SO right. Tem vários momentos desse filme que me fizeram rir de como a vida é. Em um momento o principal, fofinho, mulherzinha, e a summer, linda, de olhos claros e voz doce, estão conversando sobre relacionamentos passados dela. Ele pergunta o que aconteceu, por que acabaram, e ela responde "what always happens... life.". E é sobre isso que eu tento escrever há tanto tempo de uma forma e de outra: as pessoas vêm e vão e é assim que tem que ser. Não é falta de sensibilidade, falta de paixão, nem excesso de nada. É só como a vida é.
Ele veio, me faz bem, me faz sorrir, me faz querer abraçá-lo all the time, me faz querer fechar os olhos só pra ouvir melhor a voz dele. Mas assim como ele veio, ele vai embora - agora ou when i'm 64; mas vai.

sábado, 14 de novembro de 2009

Little black dress.

Ah, como é engraçada essa vida!

Em 2008, eu tava louca por esse cara. Até o dia em que eu, decidida como só mulheres conseguem ser, coloquei o meu melhor vestido: aquele preto, curto, que marca bem a minha cintura; o meu salto mais alto, quinze centímetros preciosos pra quem tem um metro e meio; e um batom vermelho. vermelhíssimo. O resto tava em como eu me jogava nele, he just couldn't say no. E foi assim que eu aprendi como fazer com que um cara ainda parasse pra me oferecer carona, um ano depois.
E, sabe, não fosse por esses meus sonhos bons de olhos claros, a paixão ainda estaria lá, e a carona teria sido mais do que bem-vinda.
hahaha...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Muito.

Eu amo que eu sinta tanto e tão profundamente, que eu transforme as belas pequenas coisas em infinitos, que eu aceite a intensidade como parte de mim. Eu amo mergulhar de cabeça nos mares de incerteza da vida e amo sentir o vento nos cabelos de quando eu solto o freio; amo fechar os olhos e lembrar dos cheiros, dos gostos e das cores desse meu veneno anti monotonia. Eu amo me sentir meio Vinícius, desejando que não seja eterno, mas infinito enquanto dure. Ah, eu amo que o tempo nos condene a tão pouco tempo e a vida me traga e leve as pessoas, me permitindo aproveitar cada segundinho dessa intensidade, sabendo que tudo passa.
Eu amo não conhecer o meio-termo.
E, às vezes, me odeio por isso.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Chocolate, morangos e saudades.

Parei hoje em uma Torteria pra falar de amor.
Há alguns meses atrás, esse era um programa rotineiro. Eu me apaixonaria duas vezes por semana e enjoaria e me apaixonaria de novo. E, em meio a chocolates e morangos, eu falaria de cada segundinho dessas paixões, de cada gesto, olhar e sorriso; de cada palavra, com precisão, e de cada centímetro dele: dos fios de cabelo às pontas dos dedos. E fecharia os olhos e repassaria, como num flashback, os momentos que eu sempre, sempre guardaria dentro de mim. E enquanto você falaria sobre todos os encontros, eu falaria sobre todos os dilemas. E, meu bem, a gente riria de como nós somos bobas acreditando que o amor é assim, knocking us off our feet.
Depois, a gente iria pra aquele campo, onde a gente se perderia em todo aquele verde se misturando com céu, e ouviria ao amor dos que são muito mais capazes de vocalizá-lo do que a gente é. Ouviríamos aos eu te amos alternativos e sonharíamos que amanhã eles iriam ser pra gente. Nos convenceríamos de que a vida é isso: love, love, love wherever we go.
E é bom saber, hoje, que essa poesia toda não era deles, nem pra eles. Era pra gente. O amor que a gente sonhava, a gente tem. Os sorrisos, os abraços, os olhares, o sentimento, tudo que a gente imaginava que seria tava entre a gente o tempo todo. E é por isso que a saudade é tão grande, tão infinita. Porque hoje eu tava na torteria falando de amor. Mas I just wanna sing this song with you.
Depois de tantos anos e tanta distância e tanto, eu tenho essa certeza de que
you're just about my everything.

domingo, 8 de novembro de 2009

As loucas por amor.

Eu te amarei, ó Venus, se quiseres
Que te ame muito tempo e com cordura.
E respondeu-me a deusa com ternura:
Prefiro, como todas as mulheres,
Que me ames pouco tempo e com loucura.

Ramón de Campoamor não poderia estar mais certo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Medo, sim.

Tenho um pouquinho de medo de altura, confesso. Morro de medo de muitas formigas juntas e desses insetos nojentos dos quais mulheres tem medo mesmo. Tenho medinho de falar em público e tremo só de pensar em sofrer acidentes que me deixem com seqüelas muito limitadoras, tipo perda do movimento de membros ou perda de algum dos sentidos. Mas nada disso me dá medo o suficiente a ponto de me impedir de agir. Meu medo de altura ou de acidentes nunca vai me impedir de fazer loucurinhas, tipo pular de um avião; meu medo de formigas nunca vai me impedir de fazer trilhas em lugares com aquelas formigas vermelhas e enormes que te comem vivo; meu medo de falar em público nunca vai me impedir de me expressar, com todo o pulmão que eu tiver, enquanto eu tiver o que dizer.
Mas meu pavor de fins já me privou de começos.
Me privou por tempo demais.

domingo, 1 de novembro de 2009

Persepolis.

Listen. I don't like to preach, but here's some advice: You'll meet a lot of jerks in life. If they hurt you, remember it's because they're stupid. Don't react to their cruelty. There's nothing worse than bitterness and revenge. Keep your dignity and be true to yourself.

Todos os encontros casuais.

Eu provavelmente sou a pessoa mais pessimista que você vai conhecer. Eu sempre tenho a certeza absoluta que as coisas vão dar errado, que os defeitos sempre vão se sobressair e que tudo tem seu lado ruim que, obviamente, vai ser o que a gente vai lembrar daqui a alguns anos, em um momento de monotonia. Eu não acredito em futuro. Pra mim, tudo acaba bem ali, onde começou, e tentar prolongar os momentos é burrice: as chances de uma coisa certa acabar errada são grandes demais. Eu odeio depender das pessoas. Eu não alimento sonhos cuja realização não depende exclusivamente de mim, eu não alimento (mais) esperança de concretizar o que quer que seja se isso exigir mais de uma pessoa.
Mas o que eu mais odeio na vida é perder o controle. de mim mesma. Eu odeio perceber que, meio sem querer, eu tô investindo em alguma coisa that just can't be right, que eu tô fazendo planos pra um par de pessoas, que eu tô acreditando que dessa vez vai ser diferente...
E, ao mesmo tempo, eu amo viver assim: numa correnteza sem direção.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

The world around us makes me feel so small

She believes in everything
And everyone and you and yours and mine

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tudo tende ao fim

Hoje eu falei isso pra meia dúzia de pessoas e nenhuma delas entendeu.
Na minha vida, eu quero momentos. Mesmo que sejam desconexos, finitos, mesuráveis. Momentos me bastam. Eu sempre digo que tudo tende ao fim, por isso às vezes eu mesma coloco pontos finais onde deveriam haver vírgulas: pra que as coisas não terminem mal, só terminem... Então quando eu vivo esses momentos tão eternos, tão bonitos e significativos, eu tenho vontade de acabar com eles logo pra que eles não se estraguem com esse desgaste que o ser-humano cria sobre aquilo que é rotineiro, pra que eles não sejam ofuscados por aquilo que é ruim, ou que vai ser ruim. Eu tenho vontade de falar pras pessoas pararem de falar, pararem de agir, só pra não correr o risco de que isso que eu tenho guardado com tanto carinho seja ocultado por uns hão de ser que, na minha cabeça, não deveriam haver.
Então, entenda. Colocar todos esses momentos perfeitos e curtos em caixinhas de memórias, pra revisitá-los once in a while, me parece muito mais atrativo que prolongar aquilo que tende ao fim de qualquer forma, fim esse que normalmente é desastroso.

Você pode dizer que eu não corro riscos. Eu digo que eu aprendi a me cuidar.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

The little things... there's nothing bigger, is there?

Eu amo detalhes. Eu amo lembrar do jeito que você se vangloriava por coisas bobinhas, e como você se esforçava tanto pra chamar minha atenção. Eu lembro com detalhes de como você escolhia cuidadosamente as palavras pra expressar seu medo de me perder, quando você achava que me tinha. Me lembro muito bem do jeito como vc piscou pra mim da fila do cinema, do jeito engraçadinho de como você andava, de como você se esforçava pros seus um metro e noventa e cinco caberem nos meus um metro e cinquenta e cinco quando eu te abraçava.
Me lembro muito, muito bem da sua pele arrepiada quando a gente sentava no concreto ainda quente de final de tarde e eu te fazia carinhos na nuca. De como você olhava nos meus olhos tentando me descobrir e sempre me falava que eu era uma caixinha de surpresas. Você sabia que me desarmava, e fechava os olhos pra ouvir minha voz nervosa falando das coisas sobre as quais eu não sei falar. Nessa hora, uma mecha do seu cabelo cacheado castanho escuro cairia sobre o seu olho e eu a tiraria de lá tentado te tocar o máximo que eu pudesse. Você fechava os olhos quando ouvia música e fechava a sua mão esquerda em forma de concha, como se fosse você o guitarrista. Seu terno caro te era perfeito sob aquela luz daquele salão, e me lembro como se fosse ontem da sua boca borrada do meu batom vermelho. Sua aliança, mesmo que no bolso, sempre me incomodou.
Ah, eu vou sempre lembrar dos seus cílios loiros, da sua testa tão branca, dos seus olhinhos brilhando de admiração quando falava do seu pai. Vou sempre lembrar de como você me puxava forte contra si, como se nunca quisesse me largar, e como mordia forte meu lábio inferior.

Não é das pessoas, nem das situações, mas dos detalhes, e só dos detalhes, que eu sinto tanta falta.
O que me consola é que nessa vida eu vou ter muito do que lembrar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Como é que se diz eu te amo

Há muito eu fugia de Legião. E foi difícil por um tempo não ser a voz do Renato Russo a primeira coisa do dia a ser ouvida... Então hoje, chegando quase nove horas da noite em casa, depois de um dia exaustivíssimo, depois de andar muito, de me aventurar por essas esquinas sem esquinas onde o próprio Renato já tocou e cantou e compôs, eu resolvi respirar fundo e ouvir esse CD. E, não tem jeito, todos os pelos do meu corpo continuam se arrepiando no momento em que as baquetas são batidas na contagem regressiva do início de Será. E daí pra frente, não tem como não esquecer todo esse cansaço, essas dores no corpo, essa garganta ardente, toda essa indisposição certamente causada pelos exageros do fim de semana, e só acompanhar a voz linda dele me dizendo que "com você por perto eu gostava mais de mim...". Ah, acho que só esse disco, cujos segundos são tão conhecidos, bem como todos os "uou,uou,uou,iê,iê,iê,iê..." durante Ainda é Cedo, todas as piadas sobre amor ("quem que já ouviu isso, de verdade?") depois de Vamos Fazer um Filme, toda aquela história sobre o Zé Chinelão, e aquele momento lindo em que ele diz "A gente tá aqui no palco, mas a verdadeira Legião Urbana são vocês.", tem tão grande capacidade de me fazer fechar os olhos, ouvir e sentir isso que sempre esteve latente em mim.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Amo e desamo.

Eu sou uma control freak, admito. Eu simplesmente amo as coisas (e pessoas) sob meu controle, amo quando minhas listas são cumpridas, quando meus horários são respeitados, quando todos os filminhos que eu faço na minha cabeça são correspondentes à realidade.
Mas sábado eu acordei meio fora de mim. Eu tava tão saturada de carregar um mundo nas costas que eu decidi não carregar nada. E isso me deixou extremamente bem-humorada ( e tenho estado desde então.). E é engraçado como o fluxo do mundo é assim mesmo: quando você pára de tentar é quando as coisas acontecem. Quando você aceita que não controla tudo na vida é que dá a impressoão de que o mundo tá na sua mão.
E eu odeio saber disso. hahaha...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Eu preferi não pensar demais dessa vez.

Nando Reis nesse mesmo cd diz que as frases de caneta você não pode apagar, e essa metáfora é engraçada porque a gente nunca sabe quais são as frases que realmente vão ficar a caneta na nossa vida, até que tempo o bastante passe e você descubra o que ainda pesa.

É mentira dizer que príncipe encantado não existe, menininhas. Não fiquem falando pras mais novas sobre as suas desilusões amorosas, eles existem, sim. Eu mesma já conheci um. O problema é que a gente tem essa mania de esperar demais deles, porque eles são sempre tão certos, tão arrumados, tão perfeitinhos que a gente fica desejando que eles façam alguma coisa errada, só pra sair da rotina. Eles não fazem. Daí, não tem jeito, você vai conhecer aquele cara-problema de quem você sabe que não pode esperar nada, mas espera do mesmo jeito. Você vai morrer de amores por ele e por tudo que ele te representa, tudo que você simplesmente não tem. Esse cara cuja voz você sequer vai lembrar depois de alguns meses e cuja única característica que você vai sempre se lembrar é relacionada ao (cabelo) dele, não é o seu final feliz. Esteja certa disso. Ele vai embora, com certeza, e vai te deixar com alguma música pra ouvir, com alguns livros pra ler, provavelmente com algumas vontades típicas de break ups: pintar o cabelo, comer chocolate, ver filme romântico. E bom, "Essa ferida, meu bem, às vezes não sara nunca, às vezes sara amanhã."
E é engraçado o número de vezes que eu já escrevi essa mesma frase, e sempre sarou. Porque, na verdade, o pra sempre é totalmente atípico na dor também.

Por incrível que pareça, eu demorei para quando o arco-íris encontrar o pote de ouro inteiro pra escrever hoje.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Neobizarrismo.

Okay, é isso que eu tenho: essa vida, esse meu filme. E eu sei que eu sempre exagero no tamanho dos meus dramas, que eu sou sempre pessimista e que eu sempre, sempre, sempre sofro em demasia. Eu entendo que as pessoas não me entendam.
Não é que eu gosto de ser assim, mas também não é que eu desgosto. Eu sou. Essa pessoa não simplesmente acordou um dia e decidiu que a vida dela seria essa novela em que as pequenas coisas seriam tsunamis, sempre. Eu sou a reação de uma série de acontecimentos; houve uma série de eventos, de pessoas, de lugares que me construíram pedacinho por pedacinho.
E a culpa é minha também por eu ter me contaminado com tantos allens e almodóvares e jeunets e resnais... por ter elegido tão cedo cecília meireles como minha preferida, por ter lido "o diário de um mago" antes de "diários da princesa" da vida... tá, mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.
Pode ser que eu tenha escolhido essa direção nas minhas decisões, nas minhas escolhas, nas minhas respostas, mas quando é que a gente sabe onde o caminho vai dar?

Então veja bem, meu bem. Me perdoa quando eu falo e não cumpro, quando eu procuro nas minhas palavras a força pra me convencer disso ou daquilo. Tenta entender que quando eu falo que eu to fugindo, é porque eu já dei voltas demais, quando eu falo que tá tudo errado é pra ter certeza que da próxima vez vai tá tudo certo.
Quando eu digo que a vida é assim mesmo, eu acredito no que eu to dizendo, é só que eu preciso me lembrar disso de vez em... sempre.
(parabéns!)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Deixa ser como será.

Iaiá, se eu peco é na vontade de ter um amor de verdade, pois é que assim em ti eu me atirei e fui te encontrar pra ver que eu me enganei...
Depois de ter vivido o óbvio utópico, te beijar, e de ter brincado sobre a sinceridade e dizer quase tudo quanto fosse natural... Eu fui pra aí te ver, te dizer:
Deixa ser como será! Eu vou sem me preocupar.
Deixa ser como será! Tudo posto em seu lugar, então tentar prever serviu pra eu me enganar. Deixa ser como será! Eu já posto em meu lugar: num continente ao revés, em preto e branco, em hotéis. Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê.
http://www.youtube.com/watch?v=PHj4bGpABMg

Eu tentei falar por mim mesma, mas ele fala tão melhor.

domingo, 11 de outubro de 2009

THESE FREEDOMS WE WILL FIGHT FOR, SIDE BY SIDE, THROUGHOUT OUR LIVES, UNTIL WE HAVE WON OUR LIBERTY



Dez anos era a minha idade quando eu comecei a olhar pro mundo. Eu estava em aula quando me soou esse nome: Nelson Mandela. Não que esse nome significasse alguma coisa, não que eu soubesse o que o apartheid era, nem que eu soubesse o quanto ele fez pela África do Sul, mas seu nome foi dito com tamanha admiração que a conseqüência em mim não poderia ter sido outra senão criar essa ânsia por saber mais, por saber quem, por saber como.
The Freedom Charter pra mim foi uma introdução ao mundo, ao que deveria ser o mundo. Enquanto eu lia aquelas linhas eu me perguntava se não era óbvio tudo aquilo que tava escrito, eu não entendia por que ele deveria lutar por estes ideais, já não eram esses ideais um consenso? Bem, obrigada, Mandela, por me tirar do meu mundinho; Enquanto a gente vive nessa vida classe média, a gente deixa passar muita coisa por muito tempo.(como absurdos igual ao da imagem)
E o que me incomoda, meus amigos, é que não é por falta de acesso a informção, é por falta de interesse mesmo que você conversa com um adolescente de dezesseis anos e ele não sabe te dizer quem foi Mandela, a não ser que ele tenha decorado pra alguma prova de Geografia.
Não tô aqui pra discutir política nem pra concordar ou discordar de nada, eu to aqui pra criticar apenas o que eu tenho plena certeza de conhecer. Essa minha geração de Adidas e cabelinho jogado pro lado tá de olhos fechados e é preciso alguém que "Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar, muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo. Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo e as mulheres estão ficando loucas, e há legiões carpindo a saudade de seus homens; contem-lhe que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares e é preciso reconquistar a vida. Façam-lhe ver que é preciso (eu) estar alerta, voltado para todos os caminhos, pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso."
Não me entendam mal, eu não sou o exemplo de adolescente politizada também. Sou um tanto egocêntrica e um tanto desinformada como boa parte da geração que critico.
Mas eu sei qual é a minha doença e eu quero me curar. E você?

sábado, 10 de outubro de 2009

Ato I, Cena II

RAINHA: Então, se é assim com todos, que te parece estranho nesse caso?
HAMLET: Não parece, senhora; é. Não conheço "pareces", boa mãe. Nem esta capa sombria, nem as vestes costumeiras de solene cor negra, os tempestuosos suspiros arrancados do imo peito, as torrentes fecundas que me descem dos olhos, o semblante acabrunhado, nem todas as demais modalidades da mágoa poderão nunca, em verdade, definir-me. Parecem, tão-somente, pois são gestos de fácil fingimento. Mas há algo dentro em mim que não parece. Tudo isso é roupa e enfeite do infortúnio.
O REI: Recomenda-te, Hamlet, a natureza chorares o teu pai dessa maneira. Mas, lembra-te: teu pai perdeu um pai, que o seu, também, perdera. Ao filho vivo cabe o grato dever de lastimá-lo por algum tempo. Mas mostrar tão grande obstinação no luto é dar indícios de teima e de impiedade; é a dor dos fracos; revela uma vontade ímpia e rebelde, coração débil, mente anarquizada, inteligência pobre e sem cultivo. Se tem de ser assim, tal como as coisas mais comuns que aos sentidos nos afetam, para que nos mostrarmos rigorosos e pueris? Ora! É ofensa ao próprio céu, à natureza, aos mortos, mais que absurda para a razão, cujo princípio básico é o traspasso dos pais, e que não cessa de proclamar desde a hora do primeiro cadáver até ao morto deste instante: Tinha de ser assim.

Pra mim, esse é um dos trechos mais inteligentes de Hamlet, porque pra mim não é sobre perder um parente, pra mim é sobre perder. Aqui, a verdade dita pelo rei morto é que quando se perde, quando tudo dá errado, quando o mundo parece querer te engolir, é preciso ser forte. Prolongar o sofrimento, a perda, o drama é sinônimo de falta de inteligencia, de auto-controle, é uma ofensa ao céu, à natureza, à tudo aquilo que te é superior e que sempre te ensinou que a vida é assim mesmo, cheia de ups and downs, de intempéries. E essa é uma lição que eu ainda tô aprendendo. É foda aceitar que as coisas fogem ao seu controle, que tudo tem uma probabilidade de dar errado, não importa o quanto você se esforce, e que nem sempre as pessoas vêem e entendem as coisas do jeito que você o faz. Eu tô meio Hamlet, meio angustiada, meio Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes?
Mas tem de ser assim.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Introdução

Eu decidi recomeçar.
Eu tinha um fotolog cheio de história, com uma carga de nada menos que quatro anos da minha vida. Ontem eu decidi que tava na hora de parar de viver dos ais e começar a viver dos são e dos hão de ser (apesar de parmênides...)
E foi assim que eu fui conduzida a esse caminho daqui. E é bom que você saiba desde esse primeiro momento, meu querido, que os hão de ser é, na verdade, uma série de dramas e hipérboles, umas grandes desilusões amorosas, alguns debates sobre aquilo que nunca muda e o encontro e desencontro de mim comigo mesma, porque eu não sei quem eu realmente sou, mas, a partir desse exato momento, eu decidi que
eu não preciso saber.
Mas, bem, se você precisa: prazer, diana.

ps.: é um filme diferente dessa série de dramas e desilusões e debates e desencontros que é a vida?