domingo, 28 de fevereiro de 2010

Abrigo

Eu sei que eu tenho em quem me abrigar.
Seu abraço é meu aconchego e só o som da sua voz já é capaz de me fazer esquecer de tudo. me faz lembrar que estamos juntos, aonde quer que estejamos. E eu sinto que não é mais preciso dizer mais nada, você já me lê quando olha nos meus olhos; você já sabe o que me aflige, o que me desespera, o que me faz perder a cabeça. E eu já conheço o seu olhar de preocupação, seu olhar de quem tá tentando disfarçar a tristeza. E, ao mesmo tempo, eu quero te dizer tudo, eu quero te dar o mundo inteiro, eu quero te carregar no bolso. Eu quero te lembrar o tempo inteiro do quanto eu sou grata por você ter olhado pra mim, por me guardar dentro de você desde então, por ter me dito todas as palavras que você disse, por me deixar ser parte da sua vida.
Obrigada por cantar pra mim.
(eu te amo)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Só sei que foi assim

ok, eu tinha seis anos, mas eu era uma estrelinha muito fofa no meu tou-tou azul bebê. Eu lembro que eu colava da Tia que fazia a coreografia com a gente. What can I say? nunca fui muito boa em decorar seqüências. Um pouco antes eu fui um pássaro amarelo na Bela Adormecida, óbvio que eu nem lembro quem eu era, mas minhas fotos me denunciam como A bailarina mirim em ascensão. Mas acho que o ápice mesmo da minha manifestação artística infantil foram as minhas tentativas de imitar AQUELAS meninas do Colégio Militar que dançavam What a Feeling num macacão verde, ou Raindrops Keep Falling On My Head, abrindo e fechando o guarda-chuva branco, que combinava perfeitamente com as roupas de detalhes prateado-brilhante. Elas ficaram na minha cabeça como eu imagino que a bola fica na cabeça daqueles garotinhos que sonham em ser jogadores de futebol - eu sonhava em ser do colégio militar.
E foi assim que começou essa saga interminavelmente frustrante dessa etapa da minha vida. Eu não sabia nem quem eu era, mas sabia que eu queria ser a pessoa que eu sou hoje, tirando o pequeno detalhe de que tudo, em algum lugar dos sete anos vividos dentro daquelas grades, acabou desabando em um precipício de errados. Tirando que hoje eu entrei com vergonha no palco onde eu sonhei em estar. Tirando que What a Feeling não é mais dançado com a frequência que era, e, quando é, os macacões verdes se limitam à meia dúzia de meninas aparentemente mais esforçadas do que eu consegui ser. Tirando que a única música dos anos 60 que eu dancei passou bem longe de pingos de chuva e guarda-chuvas glamourosos. Tirando que a minha sapatilha vai ficar dentro da gaveta por um tempo que ninguém realmente sabe quanto.

Tirando que, se eu ainda fosse aquela espectadora assídua de nove anos das apresentações de dança do colégio, não seria em mim que eu quereria me espelhar. Eu não ia querer ser aquela menina chorosa do palco.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Cachorro :)

Nunca te escrevi cartas apaixonadas, como eu fiz pros outros. Nunca te imaginei do meu lado pra sempre. Sempre te idealizei. Eu gostava secretamente da sua aliança e do jeito que você falava dela. Mas eu odiava espera-la ir embora. Odiava que seus nomes combinassem de um jeito vulgar (apesar disso ter me rendido algumas risadas mais tarde). E odiava a sua amiga com nome de árvore que tratava a gente como um casal. A gente sempre tava no pé errado;
(E eu sempre achei o seu irmão mais gato que você.)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

relato de mais ou menos três meses atrás. ou quatro?

E ele olhou pra mim e disse "você...", e eu perguntei "o quê?", daí ele ficou calado por um momento. Eu tremi e pensei em todas as coisas ruins que ele poderia me dizer - é fácil demais estragar um momento tão bom. Então eu disse "não gostei desse seu 'você...'", e ele respondeu "por que? é só que você... é intensa.(pausa) E é difícil encontrar alguém intensa assim, ainda mais uma menina de dezesseis anos." e eu sorri e disse "é por isso que eu tenho hipérbole tatuada na minha pele. eu não gosto de meio-termo."

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Open your eyes, david.

Não há nada que seis meses não possam curar. Não há nada que não possa ser construído em quatro. Não existem mudanças de vinte e quatro meses que se limitem a dois anos. Não há hábitos de oitenta e quatro meses que não exerçam influência nos oitenta e quatro meses próximos. Duzentos e quatro meses não são suficientes pra tomar decisões pra outros dezessete anos.
Não existem dois meses iguais.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

It feels like home.

Passei uma semana em Caldas Novas, seguida de uma semana em Buenos Aires, seguida de uma semana em Boston, seguida de uma semana em Nova York. E o que eram pra ser férias acabaram sendo um acréscimo de confusão na minha vida. Mas o que é que eu não transformo em confusão?
Pois bem, agora que eu estou finalmente dormindo na minha cama, passando horas com meu bem, voltando a ter contato com as pessoas que gostam de ouvir a minha voz, as coisas começaram a ser jogadas na minha cara. Terceiro ano, vestibular, cursinho. Parece que não dá pra ter doses pequenas dessas coisas, acho até que as pessoas se divertem vendo o desespero estampado no meu rosto quando eu paro pra me dar conta do quanto esse ano é importante na minha vida. De quantas coisas eu tenho que provar pra mim mesma e pros outros.
Me dá medo de pensar na infinidade de coisas que os próximos meses reservam.