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quinta-feira, 28 de março de 2013

Sobre te procurar em todas as camas

Te vi através do cômodo lotado de pessoas e música e suor. Te vi porque sua altura te permite ser encontrado com facilidade, e porque você dançava daquele jeito tão conhecido de quando dançamos juntos há alguns meses atrás. Teu cabelo loiro quase comprido demais e teus olhos muito azuis realmente me transportaram por alguns minutos pra outros braços. Desejei imensamente estar naquela praia com outrem.
Um tanto mais pro sul, te encontrei por trás de óculos que eu não reconhecia. Os cabelos e os olhos ainda estavam ali, por mais que acompanhados de um sotaque diferente. Mas as mãos macias que passeavam pelo meu corpo enquanto assistíamos as nuvens decobrirem as estrelas daquela noite me davam mesmo a sensação de serem as mesmas mãos macias de um julho ensolarado em outro continente.
E teu sorriso encontrei disfarçado por um semblante deveras diferente. A barba escura, o cabelo emaranhado, os olhos perdidos nada tinham a ver contigo. Mas lá estava teu sorriso aberto e sincero e ousado, que me guiavam pro escuro que eu não queria compartilhar com ninguém mais além de você.
Te carrego pra todo lado como guia, como carma e como grande amor.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Fuck me.

el 3 de junio, en una noche de lluvia, yann tiersen tocaba esta canción delante del arc de triumph, yo tenia una estrella en la mano, las que ahora llamo de familia conmigo y esperaba a alguien que me llevaria a casa y todo estaba bien.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Elephant in the room

You are the truth i try to ignore, that goes unaddressed, that i pretend i forgot. You are there, smelling like coconut, behind my shampoo, you are there when i wake up alone in the queen size bed, you are there when i'm having a nice meal, or just some wine. You are there when i go to the beach, when i buy colored shoes, when i think about being somewhere else.
And you're gone, but your blue eyes stayed, looking at me sweetly, making me remember to smile.
But here, i never smile.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Correios

Uma carta me esperava quando voltei do doce Rio de Janeiro. Uma carta que dava apenas as instruções de dirigir-me aos correios para buscar um pacote que só poderia ser entregue em mãos.
Trezentos lugares dentro de mim se encheram de esperança com essa instrução. Esse pacote poderia vir de qualquer canto do mundo, e assim eu esperava: que ele viesse de outro canto do mundo. Minha imaginação me levou aos dias mais doces de amizade e aos amores mais tenros e distantes. Fui até as palavras que me deram conforto e que agora já não estão e busquei na memória cada rosto que poderia ter lembrado de mim por motivo nenhum. E é claro que, enquanto eu dirigia, tocava no carro aquela música que me transporta pra outro tempo da minha vida.
O pacote turned out to be uma encomenda que eu já não esperava havia tempos. E me serviu pra lembrar que nenhum desses nomes que eu esperei ver escrito na caixa de remetente me enviaria coisa alguma por nenhum motivo. I'm impossible to forget, but i'm hard to remember.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

As escolhas

Eu esperava algo extraordinário. Eu espero algo extraordinário, encontrar-te na esquina de qualquer rua porque você me procurava. Receber tua ligação falando que ainda se lembra do que fomos, falando que  já basta de não sermos. Ou receber tuas simples palavras: as que dizem que todo esse tempo você sentiu o mesmo: sentiu que não fazia sentido se outra pessoa não fosse capaz de te fazer tão feliz quanto eu fiz. Que você não esqueceu de como eu te fazia dormir, como minha pele cheirava a coco.
Como meu olhar te era doce.
Porque eu não consigo esquecer. E todos os dias eu tenho que fazer a escolha de não te escrever, não te contar sobre tudo que acontece dentro de mim, não pensar por tempo demais que acabou.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Haunted

Ainda não consigo esquecer de como você me puxava pra perto no meio da noite. Não consigo esquecer os seus olhos colados em mim. Tem algo que continua não me deixando dormir em noites como essa, e tô quase certa de que é a falta do seu cheiro, a falta do seu corpo ocupando o lado esquerdo da cama de casal.
Espero ansiosa pelo tempo em que a cor dos seus olhos já não me seja tão óbvia, que a sua pele já não me seja tão viva.
Já não posso viver atormentada pelo teu fantasma. Assombrada pelo verão enquanto tento dormir numa noite fria de inverno.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O amor que trago, que não deixo

Comecei o dia lembrando de como foi acordar naquele hotel. Tínhamos vista pro mar, tínhamos todo o tempo do mundo. Você dizia que se eu tivesse que ir embora pela manhã, você não deixaria: me enrolaria no teu corpo e me prenderia com toda a força.
 Eu nunca quis ir embora.
Agora eu estou em Brasília, e temos um oceano nos separando. Um oceano e uma vida. Minhas coisas estão espalhadas pelo chão do quarto que eu já não quero ocupar, meus olhos assistem todos os dias ao pôr-do-sol desse lado do mundo, mas ainda não cheguei. Ainda estou em um dia de sol na Tossa de Mar. Ainda estou com você.
Sempre vamos estar em Barcelona.